sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quero a vida assim
Amassada
Enrolada
Em papel de seda
Ou de jornal
Quero um colar bonito
De pérolas
Ou de botão
Quero um peito aberto
Cheio de cicatrizes
De lembranças
Do que foi
Do que não foi
Do que será
Quero as mãos raladas
mas
De unhas feitas
De cores diversas
Sempre abertas
Quero as pernas bambas
De sonhos insuspeitos
Dos carinhos exagerados
Quero o amor maior
A paixão que transtorna
Que transborda
Quero o fio da navalha
A faca que corta
O que não faz sentido
Quero o suor pingando
Das lutas reais
Quero da vida
O pedaço
Que mais arde
Que enlouquece
Quero o mais difícil
O que é real
Quero a verdade
Da dureza da rocha
Do perfume da rosa
Das entranhas expostas
Quero.
Claudia Corbisier

quinta-feira, 24 de março de 2011


O rosto evapora
no traço queimado
cinza das horas
alguém disse
o cerco se fecha
a flecha dispara
o sol cochila
a noite se veste
de colombina
a máscara dança
sem rosto
na ponta da pluma
no segundo
da vírgula
gira
feito bailarina
o baile
já foi
procura
a hora
que já passou
o rosto
ficou
no confete
que virou
estrela.

Claudia Corbisier

quarta-feira, 9 de março de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

quero sim
agora sim
assim assim
vem sim
sendo sim

de mocassim
bem assim
sempre assim
lendo tintin
sonhando sim
sonho de marfim
cantando sim
na tuba sim
do Serafim
assim assim
muito afim
mesmo assim
ainda assim
foi sim
vai ser assim
sim
Claudia Corbisier

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011


Explode
eclode
o molde
o pote
vira
tira
atira
na mentira
rompe
irrompe
interrompe
ontem
avisa
avista
a pista
na lista
Voa
entoa
soa
à toa.
Claudia Corbisier

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Crônica das cruzes anunciadas

a água
cai
vai
sai
dói
mói
corrói
destrói
leva
vela
sela
traga
draga
apaga
arrasta
madrasta
alastra
engana
desengana
desampara
desespera
não espera
ninguém
Claudia Corbisier

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vem
na hora
na toca
na maloca
na bitoca
na sacola
da mandioca
vem
no começo
no mereço
no endereço
no sem preço
no apreço
do adereço
vem
no caminho
no linho
no carinho
no finzinho
no morninho
do cantinho
vem
no segundo
no fundo
no mundo
no quanto
no manto
do pranto
vem
no passo
no laço
no compasso
no cansaço
no braço
do abraço
vem.