segunda-feira, 28 de maio de 2012

No tempo do escuro 
Rodo nas luas esquecidas
Quero a boca faminta
A vida que arde
A luz acesa
De cores desconhecidas
Falta a fé
No tempo do escuro 
Brilha o calor 
De cada pequeno
Gesto
De cada
Grito
Da dor 
Emudecida
No tempo do escuro
Apago a luz
Para ver 
Tentar
Cantar
Uma canção 
De ninar

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Brinco de cor
de vida
de amor
de argola
colorida
preto e branca
da roleiflex
Brinco de bambolê
no molejo incerto
do reboleio
Brinco de menina
contente
de saia rodada
de tiara no cabelo
Brinco de mulher
de cabelo em pé
de batom forte
que vai com fé
Brinco de letra
nua
crua
que diz
que arranha
as entranhas
Vivo de viver
a palavra
que corta
que rasga
a máscara
do mundo

Claudia Corbisier

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cruzo
o mapa
Na linha
vermelha
Da veia
aberta
corto
rasgo
me faço
brisa
vento
furacão
Enfeitiço
o tempo
sem
ponteiros
corro
velejo
nas cores
miúdas
de cada
pedaço
do mundo
No galope
na garupa
do cometa
sem lupa
nua
crua
brinco
sem
argola
na viola
na toada
entoada
de uma
lua
encantada

Claudia Corbisier
Suando
no grito
rouco
acordou
era sonho
verdade
filme
TV ligada
Vizinho
sonho
do amante
vida
da noite
água
ducha
fria
chá
de
camomila
edredon
embaixo
da cama
em cima
sofá
cachorro
carente
querendo
brincar
janela
vizinho
dormindo
rua quieta
caminhão
de lixo
barulha
tudo
os sacos
que foram
agonia
não vai
suando
dormir
depois
bem depois.

Claudia Corbisier

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Na curva
do tempo
rasgo
a fantasia
escuto
a lágrima
do vento
solto
o leme
me lanço
fora
do trilho
procuro
a música
no silêncio
ganho
um
afago
da estrela
que
distraída,
brincou de roda
lá no céu.

Claudia Corbisier

sexta-feira, 27 de maio de 2011



Tem um hóspede
no coração
Será que
veio
pra 
ficar?
ela se pergunta
se penteia
se desnorteia
se combina
Fica bonita
de rainha
Fica alegre
de sombrinha
Fica corada
por um nadinha
Dança
tipo bailarina
Viaja
na pontinha
Brinca
de mocinha
Roda
de sainha
Suspira
de trancinha
Deita
de meinha
Sonha
ainda sózinha
Será que?

Claudia Corbisier

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Memória


Mãe é amparo.
Estaca fincada na terra
na chuva, molha
no sol, seca
com o vento balança.
Mas fica ali.
As vezes nem sabe
que apóia ilusões,
que gera sonhos
que aninha sossegos.
É ponto cardeal
início à revelia
corrimão
jacarandá de sobrado
sino de mesa
carrilhão tocando
conversas de antigamente.
É tristeza do que não foi
de perguntas esquecidas
É imagem desdobrável
guardada
entre pesares e canduras
no porta-retrato
da memória.

Claudia Corbisier
Poema publicado em "Os Olhos De Eduarda"
Editora Dublin, 2004